Escrita Dramática: os elementos fundamentais para uma narrativa de ficção
À vista: R$1.620,00
Descrição
DORN – E ainda mais uma coisa. Em suas obras o pensamento deve ser claro e definido. Deve saber para que escreve, pois de outro modo, se seguir sem metas esse caminho pitoresco poderá ficar desorientado, e o talento, então, será a sua desgraça.
(A Gaivota/1896, ato I, A.Tchekhov)
Esta frase (que em escrita dramática a gente chama de ‘fala’) aí em cima foi escrita por um dos autores mais festejados do teatro ocidental, o russo Anton Tchekhov. (Para se ter uma ideia da importância dele, nos Estados Unidos ele é mais encenado do que o próprio Shakespeare, que escreveu em inglês!). A apresentação do nosso curso de Escrita Dramática na Roteiraria começa com a fala dessa personagem porque é exatamente nessa tecla que a gente bate o tempo inteiro ao longo dos nossos encontros: arte é técnica, 90% transpiração e apenas 10% inspiração. Como fala o médico Dorn, de ‘A Gaivota’, o autor: “deve saber para que escreve”. Por causa disso, qualquer pessoa, com vontade e determinação, está apta a aprender a contar uma história através dum texto dramático, que é a única forma de literatura que se transforma em alguma outra coisa além do livro em si. (A poesia e o romance a gente lê e pronto). Essa forma específica de escrita pode virar uma telenovela, um filme de cinema
ou uma montagem teatral, isso sem falar nas séries (que hoje em dia já parecem dominar o gosto do público que procura boas histórias). O mais importante, porém, é que todas elas – e aqui desponta a relevância deste curso – ainda continuam bebendo na fonte da escrita
dramática. Ao longo das aulas, então, vai se aprender a contar uma história que consiga prender o interesse de quem assiste, trabalhando os vários elementos que compõem uma trama, mas que acabam passando despercebidos pelo espectador. E deve ser assim mesmo. O
autor é quem precisa entender a técnica, ou seja, como definir um lugar onde a trama acontece, o tempo que ela leva, que tipo de personagem vai estar nessa história, e no final das contas, o que quem escreve está querendo comunicar. E não bastando isso, o curso acompanha este aprendizado do aluno, instruindo-o a dominar as técnicas de escrita de um texto, mas ao mesmo tempo apresenta textos dramáticos fundamentais da história do teatro, para fazer
aumentar o repertório e mostrar como estes autores contaram as histórias deles e alcançaram sucesso na época em que viveram e, assim, acabaram gravando seus nomes para a posteridade, feito Anton Tchekhov.
OBJETIVO GERAL
Instrumentalizar o aluno para que ele conheça as ferramentas fundamentais para a escrita de um texto dramático e perceba a sua especificidade em relação a outros gêneros literários no que tange ao desfecho concreto e material desta escrita, seja na cena ou na tela.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Oportunizar aos participantes a Escrita Dramática como forma artística de expressão;
- Apresentar aos participantes a Literatura Dramática;
- Promover o Drama nas suas mais diferentes instâncias;
- Defender a hipótese teórica da especificidade do gênero literário dramático;
- Atender diversificados públicos;
- Levar a produção teórica acadêmica para fora dos muros da universidade;
- Horizontalizar o repertório dramático sugerido nas leituras da oficina ao equilibrar autores dramáticos canônicos e contemporâneos, assim como brasileiros e estrangeiros;
- Descobrir sua própria voz enquanto autor dramático;3
- Desenvolver um vocabulário técnico ligado à carpintaria do texto dramático e sua posterior transposição à cena ou à tela;
- Compreender as ferramentas básicas para a análise e escritura de um texto dramático;
- Entender que a criatividade é inerente ao ser humano e que esta pode ser estimulada.
Ementa
MÉTODO
Aulas com (a) exposição teórica dos conteúdos, (b) discussão sobre textos dramáticos de autores renomados que ilustram os conteúdos desenvolvidos em aula e aumentam o repertório literário dos alunos e (c) sobre os textos curtos escritos pelos alunos nos intervalos das aulas, ou seja, de uma semana à outra.
CONTEÚDO
AULA 1
Tema: Apresentação da súmula da disciplina. Breve apresentação dos textos dramáticos a serem trabalhados na disciplina. O conceito de drama aberto e drama fechado. O modelo actancial na Escrita Dramática.
Textos dramáticos: Filoctetes, de Sófocles (409 ac) + O pequeno Eyolf, de H.Ibsen (1894)
Leituras: Forma aberta (P.Pavis). Dicionário de Teatro, p. 173. Forma fechada (P.Pavis).
Dicionário de Teatro, p. 174. Conceitos Fundamentais da História da Arte (H.Wölfflin).
AULA 2
Tema: A formatação do texto dramático fechado: título e rubricas
Prática: Exercício 1 – texto dramático com 3 p e as seis funções básicas do modelo actancial.
Textos dramáticos: A Floresta, de A.Ostrovski (1850) + Longa Jornada Noite adentro, de E.O’Neill (1946)
Leituras: Convenção (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 71-72. Regras (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 333-335. “Abordagens Metódicas”. Introdução à análise do teatro (J.P Ryngaert), I. Tentativa de descrição: 1. O texto como objeto material (pp. 35-36) + 2. Organização, estruturação (pp.36-38) + 3. O material textual (pp.43-51). Título da peça (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 410-411. Indicações cênicas (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 206-208.
AULA 3
Tema: A trama de um texto dramático fechado.
Prática: Exercício 2 – texto dramático com ausência ou excesso de rubricas.
Textos dramáticos: O Jogo do Amor e do Acaso, de P. Marivaux (1730) + Agreste, de N.Moreno (2008)
Leituras: Fábula (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 157-161. Intriga (P.Pavis). Dicionário de Teatro, p. 214. “Abordagens Metódicas”. Introdução à análise do teatro (J.P Ryngaert), I. Tentativa de descrição: 2. Organização, estruturação (pp.40-43) + II. A ficção e sua organização (pp. 53-66). Para Trás e Para Frente (D.Ball), Parte 1: Forma – capítulos 1,2 e 3 + Parte 2: Métodos – capítulo 9.
AULA 4
Tema: A estrutura do texto dramático fechado e suas divisões I
Prática: Exercício 3 – texto dramático com dois terços das ações como ações dramáticas.
Textos dramáticos: Mary Stuart, de F. Schiller (1899) + O Inspetor Geral, de N.Gogol (1836)
Leituras: Ato (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 28-30. Introdução à análise do teatro (J.P Ryngaert), 2. Organização, estruturação (pp.38-40). Para Trás e Para Frente (D.Ball), Parte 1: Forma – capítulo 4 + Parte 2: Métodos – capítulo 8 + Parte 3: Truques do negócio – capítulo
19, 20. Exposição (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 153-154. Ponto de Ataque (P.Pavis). Dicionário de Teatro, p. 297. Desenlace (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 91-92.
AULA 5
Tema: A estrutura do texto dramático fechado e suas divisões II
Prática: Exercício 4 – texto dramático com uma estrutura fechada em cinco atos curtos: exposição, ponto de ataque, desenvolvimento, clímax, desenlace.
Textos dramáticos: O Santo Inquérito, de D.Gomes (1966) + O Díscolo, de Menandro (316 ac) Leituras: Estrutura Dramática (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 149-150. Ritmo (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 342-345.
AULA 6
Tema: O espaço no drama fechado.
Prática: Exercício 5 – texto dramático com ponto de ataque tardio ou imediato
Textos dramáticos: Sexta-feira das Paixões, de I. Bender (1975) + A Gaivota, de A.Tchekhov (1896)
Leituras: Espaço Dramático (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 135-136. “Abordagens Metódicas”. Introdução à análise do teatro (J.P Ryngaert), III. O espaço e o tempo: 1. Um exemplo de escolhas espaço-temporais opostas: sensibilidade barroca e gosto clássico (pp.75-80) + 2. Análise das estruturas espaciais (pp. 81-91).
AULA 7
Tema: O tempo no drama fechado.
Prática: Exercício 6 – texto dramático com espaço fechado, único, não-definido, descrito de forma constante nos diálogos e através de uma imagem-comandante simbólica.
Textos dramáticos: A Casa de Bernarda Alba, de F.G.Lorca (1936) + Avental todo sujo de Ovo, de M.Barbosa (2003)
Leituras: Tempo (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 400-403.
AULA 8
Tema: O tempo e o espaço no drama fechado II.
Prática: Exercício 7 – texto dramático com unidade de tempo cronológica e esparsa, indicações temporais precisas de hora do dia, ano e estação nos diálogos.
Textos dramáticos: O Quarto de Olga, de D.Loher (1992) + As Folhas do Cedro, de S.Yazbek (2011)
Leituras: “Abordagens Metódicas”. Introdução à análise do teatro (J.P Ryngaert), III. O espaço e o tempo: 1. Um exemplo de escolhas espaço-temporais opostas: sensibilidade barroca e gosto clássico (pp.75-80) + 3. Análise das estruturas temporais (pp. 92-98).
AULA 9
Tema: O discurso teatral num texto dramático fechado I
Prática: Exercício 8 – texto dramático com espaço aberto, múltiplo, definido com unidade de tempo circular e três intervalos temporais.
Textos dramáticos: Purificados, de S.Kane (1998) + As Mãos Sujas, de J.P.Sartre (1948)
Leituras: “Abordagens Metódicas”. Introdução à análise do teatro (J.P Ryngaert), IV. Enunciados e Enunciação (pp.101-115).
AULA 10
Tema: O discurso teatral num texto dramático fechado II
Prática: Exercício 9 – texto dramático com diálogos curtos, em que as personagens se escutam e há intercâmbio temático.
Textos dramáticos: Fedra, de Racine (1677) + O Fazedor de Teatro, de T.Bernhard (1984)
Leituras: Discurso (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 101-104. Diálogo (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 92-95. O discurso teatral (A.Ubersfeld). Para ler o teatro, pp. 157-188.
AULA 11
Tema: A informação num texto dramático fechado.
Prática: Exercício 10 – texto dramático com diálogos curtos ou com monólogos longos, em que as personagens se escutam e não há intercâmbio temático.
Textos dramáticos: O Nome, de J.Fosse (1995) + A Aurora da minha Vida, de Naum A. de Souza (1981)
Leituras: “Abordagens Metódicas”. Introdução à análise do teatro (J.P Ryngaert), IV. Enunciados e Enunciação (pp.115-119). Mensagem teatral (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 239-240.
AULA 12
Tema: A personagem no drama fechado I.
Prática: Exercício 11 – texto dramático com informação: em grande quantidade, explícita, de acessibilidade pública e concentrada no início de peça.
Textos dramáticos: A História do Zoológico, de E.Albee (1959) + Eu estava em Minha Casa e Esperava que a Chuva Chegasse, de J.L.Lagarce (1995)
Leituras: Personagem (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 285-289. “Abordagens Metódicas”. Introdução à análise do teatro (J.P Ryngaert), V. A Personagem (pp.125-141).
AULA 13
Tema: A personagem no drama fechado II.
Prática: Exercício 12 – texto dramático com personagens complexas, com cinco signos individualizantes cada uma e com uma que fale muito de si.
Textos dramáticos: Abajur Lilás, de P.Marcos (1969) + A Visita da Velha Senhora, de F.Dürrenmatt (1955)
Leituras: Tipo (P.Pavis). Dicionário de Teatro, p.410. Herói (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 193-194. Configuração (P.Pavis). Dicionário de Teatro, p.67. A Personagem (A.Ubersfeld). Para ler o teatro, pp. 69-90.
AULA 14
Tema: O tema no drama fechado
Prática: Exercício 13 – texto dramático com personagens tipo, com o protagonista como um anti-herói e com uma personagem que fale muito dos outros.
Textos dramáticos: As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, de R.W.Fassbinder (1971) + Os Sete Gatinhos, de N. Rodrigues (1957)
Leituras: Leituras: Tema (P.Pavis). Dicionário de Teatro, p. 399. Para Trás e Para Frente (D.Ball), Parte 2: Métodos – capítulo 12.
AULA 15
Tema: O sentido no drama fechado
Prática: Exercício 14 – texto dramático com um tema facilmente identificável
Textos dramáticos: A Importância de ser Prudente, de O.Wilde (1895) + Savana Glacial, de J.Bilac (2009)
Leituras: Semiologia Teatral (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 350-355. Signo Teatral (P.Pavis). Dicionário de Teatro, pp. 357-358.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BALL, David. Para Frente e Para Trás. São Paulo: Perspectiva, 2009.
CARLSON, Marvin. Teorias do teatro. São Paulo: UNESP, 1997.
PALLOTINI, R. Dramaturgia: construção da personagem. São Paulo: Ática,1989.
PAVIS, P. Dicionário de Teatro. Trad. Jacó Guinsburg e Maria Lúcia Pereira (coord.). São Paulo: Perspectiva, 1999.
RYNGAERT, J.P. Introdução à análise do teatro. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
SZONDI, Peter. Teoria do drama moderno [1880-1950]. São Paulo: Cosac & Naify, 2001.
UBERSFELD, A. Para Ler o Teatro. Trad. José Simões Almeida Júnior (coord.). São Paulo: Perspectiva, 2005.
WÖLFFLIN, H. Conceitos Fundamentais da História da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 2015.
COMPLEMENTARES
GEORGE, Kathleen. Playwriting: the First Workshop. Boston: Focal Press, 1994
JENSEN, J. Playwriting: brief and brilliant. Hanover: Smith and Kraus, 2007.
KLOTZ, V. Geschlossene und Offene Form im Drama. München: Hanser, 1969.
WRIGHT, Michael. Playwriting in Process: Thinking and working theatrically. Portsmouth: Heinemann, 1997.
*A realização do curso está sujeita a quórum.
Voltar para todos cursos.