Experimentando com Gêneros Narrativos
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Descrição
Em 2026, Widow’s Bay, série que mistura comédia, terror e suspense, foi a grande vencedora do Emmy. O filme de ficção científica Devoradores de Estrelas conquistou público e crítica ao combinar sci-fi e buddy comedy com tons de aventura e drama. A franquia Avatar, da Nickelodeon/Paramount, voltou com força, com três novas obras de formatos distintos que expandem um universo que sempre aliou mitologia fantástica a elementos de coming-of-age, ação, drama e épico.
Como defendem diversos teóricos da narratologia e dos estudos televisivos, narrativas de gêneros e formatos estanques têm ficado para trás em um mercado competitivo, que procura cada vez mais diferenciais e inovações, muitas vezes manifestados em hibridismos narrativos. Em Anatomia dos gêneros, John Truby afirma que a maioria das narrativas de sucesso hoje combina pelo menos três gêneros. Autores como Jason Mittell e Neil Landau apontam a hibridização de gêneros e estruturas nas séries contemporâneas como reflexo das mudanças tecnológicas na cadeia de produção e distribuição das obras.
Neste curso, analisamos como filmes e séries de sucesso empregaram hibridismos de gêneros e como isso se manifestou em suas estruturas narrativas, no tom, nas abordagens temáticas e na construção de personagens.
OBJETIVOS
Ajudar os alunos a aplicar em seus próprios projetos as estratégias narrativas dos gêneros híbridos.
- Analisar séries e filmes contemporâneos de gêneros híbridos e as estruturas, os recursos narrativos e as construções de personagem ligados ao tensionamento de diferentes convenções de gênero;
- Observar como produções de diferentes formatos e estruturas mesclam gêneros para potencializar os temas abordados;
- Conhecer referências teóricas sobre gênero, formato e estrutura narrativa;
- Aplicar essas estratégias no desenvolvimento de projetos autorais.
Ementa
MÉTODO
O curso analisa séries e filmes de gêneros híbridos, com atenção aos recursos narrativos empregados, em diálogo com referências bibliográficas sobre gêneros, formatos, estruturas narrativas, roteiro e representação. Durante as aulas, são trabalhados exemplos e decupagens de cenas de produções de sucesso de público ou de crítica que mobilizam diferentes gêneros. As referências utilizadas ficam disponíveis para consulta posterior.
CONTEÚDO
Aula 1 A hibridização de gêneros na contemporaneidade e nas narrativas brasileiras
- John Truby, Jason Mittell e Neil Landau: estudos e teorias sobre gêneros e hibridismos narrativos;
- Imbricações e subversões genéricas, estéticas e textuais como produtos da narrativa moderna e da contemporânea;
- O sucesso crítico de narrativas híbridas nas últimas edições do Emmy e do Oscar;
- Filme: hibridismos de gênero no cinema de Kleber Mendonça Filho e o sucesso de O Agente Secreto e Bacurau;
- Série: o faroeste contemporâneo e a costura de drama criminal e familiar em Cangaço Novo;
- Novela: Vai na Fé, a dramédia das sete, de Rosane Svartman.
Aula 2 Fantasia e coming-of-age em franquias de sucesso
Um universo de metáforas sobre amadurecimento e identidade
- Convenções da fantasia e do coming-of-age;
- Buffy, a Caça-Vampiros: a complexidade narrativa analisada por Mittell e os demônios do amadurecimento;
- Avatar: A Lenda de Aang: a aliança entre coming-of-age, aventura épica e debate político das Quatro Nações;
- Harry Potter: a magia ancorada em dramas humanos e temas universais;
- O aumento da densidade dramática, dos riscos e das agonias à medida que as personagens crescem;
- Amizade e pertencimento como temas centrais.
Aula 3 Ação e comédia, quando o extraordinário e o ridículo se encontram
- Convenções da ação e da comédia;
- A traumédia de ação em Barry: o desejo inconciliável de um assassino de aluguel que entra para o teatro;
- A aliança entre desvio cômico, habilidade extraordinária e agonia trágica;
- A dramédia de espionagem em Chuck: do romance à ação, das aventuras procedurais aos arcos dramáticos;
- Um assassino que quer ser um cara normal e não consegue, um cara normal que quer ser espião e não é capaz: diferenças de tom e de argumento dramático central.
Aula 4 Queer TV, rompendo dualidades e gêneros estanques com narrativas LGBTQIAPN+
- O conceito de Queer TV, de Ava Parsemain: quando a recusa ao binarismo atravessa estrutura, tom e estética;
- Transparent, What It Feels Like for a Girl e a escrita autoficcional que reivindica outras representações;
- Orange Is the New Black: euforias, disforias e liturgias diversas em um mosaico LGBTQIAPN+;
- O absurdo do mockumentary aliado ao sobrenatural em What We Do in the Shadows;
- A relação da cultura queer com o horror e a fantasia.
Aula 5 O drama criminal é um drama familiar
- De O Poderoso Chefão a Família Soprano: as tensões do crime misturadas aos dramas de casa;
- É pela família: o desejo inconciliável do anti-herói de romper os códigos da burguesia sem perder o seio familiar;
- Subvertendo o gênero e as regras do jogo: as anti-heroínas de Ozark;
- Violência e trauma, drama criminal e psicológico: jornadas emocionais em Sharp Objects e Mare of Easttown.
Aula 6 O terror e suas interseções contemporâneas
- Definições de horror e terror;
- Stranger Things: hibridismos e a aliança entre medo humano e medo sobrenatural como conceito desde a bíblia da série;
- Widow’s Bay: as lendas episódicas como meio de transitar por diferentes tons;
- The Last of Us: o horror zumbi como catalisador de temas profundamente humanos;
- Costurando plot-driven e character-driven: misturas em diversos aspectos narrativos;
- Encerramento: ampliar o espectro de emoções e alcançar diferentes públicos.
FILMOGRAFIA SUGERIDA:
Filmes
Bacurau
Devoradores de Estrelas
Harry Potter (franquia)
O Agente Secreto
O Poderoso Chefão
Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo
Novela
Vai na Fé
Séries
Atlanta
Avatar: A Lenda de Aang
Barry
Buffy, a Caça-Vampiros
Cangaço Novo
Chuck
Família Soprano
Mare of Easttown
Orange Is the New Black
Ozark
Sharp Objects
Stranger Things
The Last of Us
Transparent
What It Feels Like for a Girl
What We Do in the Shadows
Widow’s Bay
BIBLIOGRAFIA
BERGSON, Henri. O riso: ensaio sobre a significação do cômico.
BORDWELL, David. The Way Hollywood Tells It: Story and Style in Modern Movies.
CASTELLANO, Mayka; MEIMARIDIS, Melina. “Mulheres difíceis”: a anti-heroína na ficção seriada televisiva americana.
LANDAU, Neil. TV Writing on Demand: Creating Great Content in the Digital Era.
MARTIN, Brett. Homens difíceis.
MENDES, João Maria. Culturas narrativas dominantes: o caso do cinema.
MITTELL, Jason. A Cultural Approach to Television Genre Theory.
MITTELL, Jason. Complex TV: The Poetics of Contemporary Television Storytelling.
PARSEMAIN, Ava Laure. The Pedagogy of Queer TV.
SAVORELLI, Antonio. Beyond Sitcom: New Directions in American Television Comedy.
SCRIPTNOTES (podcast). How Craig Mazin Writes a Movie.
SZONDI, Peter. Teoria do drama moderno.
TRUBY, John. The Anatomy of Genres: How Story Forms Explain the Way the World Works.
YOSHINAGA, Ida M. The Surprisingly Fantastic Script: Imaginative Immaterial Labor, “Multitudinous” Screenwriting, and Genre Innovation within Peak TV.
*A realização do curso está sujeita a quórum.
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