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Experimentando com Gêneros Narrativos

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Experimentando com Gêneros Narrativos

Início:
17/02/2027
Categorias:
Valor:
À vista: R$522,00 (*10% de desconto)
Parcelado: 10x de R$58,00

Descrição

Em 2026, Widow’s Bay, série que mistura comédia, terror e suspense, foi a grande vencedora do Emmy. O filme de ficção científica Devoradores de Estrelas conquistou público e crítica ao combinar sci-fi e buddy comedy com tons de aventura e drama. A franquia Avatar, da Nickelodeon/Paramount, voltou com força, com três novas obras de formatos distintos que expandem um universo que sempre aliou mitologia fantástica a elementos de coming-of-age, ação, drama e épico.

Como defendem diversos teóricos da narratologia e dos estudos televisivos, narrativas de gêneros e formatos estanques têm ficado para trás em um mercado competitivo, que procura cada vez mais diferenciais e inovações, muitas vezes manifestados em hibridismos narrativos. Em Anatomia dos gêneros, John Truby afirma que a maioria das narrativas de sucesso hoje combina pelo menos três gêneros. Autores como Jason Mittell e Neil Landau apontam a hibridização de gêneros e estruturas nas séries contemporâneas como reflexo das mudanças tecnológicas na cadeia de produção e distribuição das obras.

Neste curso, analisamos como filmes e séries de sucesso empregaram hibridismos de gêneros e como isso se manifestou em suas estruturas narrativas, no tom, nas abordagens temáticas e na construção de personagens.

 

OBJETIVOS

Ajudar os alunos a aplicar em seus próprios projetos as estratégias narrativas dos gêneros híbridos.

  • Analisar séries e filmes contemporâneos de gêneros híbridos e as estruturas, os recursos narrativos e as construções de personagem ligados ao tensionamento de diferentes convenções de gênero;
  • Observar como produções de diferentes formatos e estruturas mesclam gêneros para potencializar os temas abordados;
  • Conhecer referências teóricas sobre gênero, formato e estrutura narrativa;
  • Aplicar essas estratégias no desenvolvimento de projetos autorais.

Ementa

MÉTODO

O curso analisa séries e filmes de gêneros híbridos, com atenção aos recursos narrativos empregados, em diálogo com referências bibliográficas sobre gêneros, formatos, estruturas narrativas, roteiro e representação. Durante as aulas, são trabalhados exemplos e decupagens de cenas de produções de sucesso de público ou de crítica que mobilizam diferentes gêneros. As referências utilizadas ficam disponíveis para consulta posterior.

 

CONTEÚDO  

Aula 1  A hibridização de gêneros na contemporaneidade e nas narrativas brasileiras

  • John Truby, Jason Mittell e Neil Landau: estudos e teorias sobre gêneros e hibridismos narrativos;
  • Imbricações e subversões genéricas, estéticas e textuais como produtos da narrativa moderna e da contemporânea;
  • O sucesso crítico de narrativas híbridas nas últimas edições do Emmy e do Oscar;
  • Filme: hibridismos de gênero no cinema de Kleber Mendonça Filho e o sucesso de O Agente Secreto e Bacurau;
  • Série: o faroeste contemporâneo e a costura de drama criminal e familiar em Cangaço Novo;
  • Novela: Vai na Fé, a dramédia das sete, de Rosane Svartman.

Aula 2  Fantasia e coming-of-age em franquias de sucesso

Um universo de metáforas sobre amadurecimento e identidade

  • Convenções da fantasia e do coming-of-age;
  • Buffy, a Caça-Vampiros: a complexidade narrativa analisada por Mittell e os demônios do amadurecimento;
  • Avatar: A Lenda de Aang: a aliança entre coming-of-age, aventura épica e debate político das Quatro Nações;
  • Harry Potter: a magia ancorada em dramas humanos e temas universais;
  • O aumento da densidade dramática, dos riscos e das agonias à medida que as personagens crescem;
  • Amizade e pertencimento como temas centrais.

Aula 3  Ação e comédia, quando o extraordinário e o ridículo se encontram

  • Convenções da ação e da comédia;
  • A traumédia de ação em Barry: o desejo inconciliável de um assassino de aluguel que entra para o teatro;
  • A aliança entre desvio cômico, habilidade extraordinária e agonia trágica;
  • A dramédia de espionagem em Chuck: do romance à ação, das aventuras procedurais aos arcos dramáticos;
  • Um assassino que quer ser um cara normal e não consegue, um cara normal que quer ser espião e não é capaz: diferenças de tom e de argumento dramático central.

Aula 4  Queer TV, rompendo dualidades e gêneros estanques com narrativas LGBTQIAPN+

  • O conceito de Queer TV, de Ava Parsemain: quando a recusa ao binarismo atravessa estrutura, tom e estética;
  • Transparent, What It Feels Like for a Girl e a escrita autoficcional que reivindica outras representações;
  • Orange Is the New Black: euforias, disforias e liturgias diversas em um mosaico LGBTQIAPN+;
  • O absurdo do mockumentary aliado ao sobrenatural em What We Do in the Shadows;
  • A relação da cultura queer com o horror e a fantasia.

Aula 5  O drama criminal é um drama familiar

  • De O Poderoso Chefão a Família Soprano: as tensões do crime misturadas aos dramas de casa;
  • É pela família: o desejo inconciliável do anti-herói de romper os códigos da burguesia sem perder o seio familiar;
  • Subvertendo o gênero e as regras do jogo: as anti-heroínas de Ozark;
  • Violência e trauma, drama criminal e psicológico: jornadas emocionais em Sharp Objects e Mare of Easttown.

Aula 6  O terror e suas interseções contemporâneas

  • Definições de horror e terror;
  • Stranger Things: hibridismos e a aliança entre medo humano e medo sobrenatural como conceito desde a bíblia da série;
  • Widow’s Bay: as lendas episódicas como meio de transitar por diferentes tons;
  • The Last of Us: o horror zumbi como catalisador de temas profundamente humanos;
  • Costurando plot-driven e character-driven: misturas em diversos aspectos narrativos;
  • Encerramento: ampliar o espectro de emoções e alcançar diferentes públicos.

 

FILMOGRAFIA SUGERIDA:

 

Filmes

Bacurau

Devoradores de Estrelas

Harry Potter (franquia)

O Agente Secreto

O Poderoso Chefão

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Novela

Vai na Fé

Séries

Atlanta

Avatar: A Lenda de Aang

Barry

Buffy, a Caça-Vampiros

Cangaço Novo

Chuck

Família Soprano

Mare of Easttown

Orange Is the New Black

Ozark

Sharp Objects

Stranger Things

The Last of Us

Transparent

What It Feels Like for a Girl

What We Do in the Shadows

Widow’s Bay

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

BERGSON, Henri. O riso: ensaio sobre a significação do cômico.

BORDWELL, David. The Way Hollywood Tells It: Story and Style in Modern Movies.

CASTELLANO, Mayka; MEIMARIDIS, Melina. “Mulheres difíceis”: a anti-heroína na ficção seriada televisiva americana.

LANDAU, Neil. TV Writing on Demand: Creating Great Content in the Digital Era.

MARTIN, Brett. Homens difíceis.

MENDES, João Maria. Culturas narrativas dominantes: o caso do cinema.

MITTELL, Jason. A Cultural Approach to Television Genre Theory.

MITTELL, Jason. Complex TV: The Poetics of Contemporary Television Storytelling.

PARSEMAIN, Ava Laure. The Pedagogy of Queer TV.

SAVORELLI, Antonio. Beyond Sitcom: New Directions in American Television Comedy.

SCRIPTNOTES (podcast). How Craig Mazin Writes a Movie.

SZONDI, Peter. Teoria do drama moderno.

TRUBY, John. The Anatomy of Genres: How Story Forms Explain the Way the World Works.

YOSHINAGA, Ida M. The Surprisingly Fantastic Script: Imaginative Immaterial Labor, “Multitudinous” Screenwriting, and Genre Innovation within Peak TV.

*A realização do curso está sujeita a quórum.

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