As Personagens nos Mitos à Luz da Filosofia
Parcelado: 10x de R$42,00
Descrição
O que compõe um mito? Quais são as bases para uma estrutura narrativa? Quais são os elementos que caracterizam e qualificam uma personagem bem construída? Como inserir reflexões e questionamentos filosóficos, políticos, éticos ou existenciais numa obra dramatúrgica? O que um mito pode narrar, e o que uma personagem pode significar?
O curso “As Personagens nos Mitos à Luz da Filosofia” visa fazer uma investigação acerca das diferentes maneiras, ao longo da história das narrativas ocidentais, de abordar a trama [mýthos] e seus elementos constituintes (como a estrutura em atos, os acontecimentos, as peripécias, o reconhecimento, a comoção emocional, o enlace, o desenlace), a personagem [eéthos] e suas qualificações (como a disposição do caráter, o comportamento, as escolhas, ações e reações) e os pensamentos [dianoías] trazidos pelos diálogos, monólogos ou solilóquios da obra, bem como pelo encadeamento lógico dos acontecimentos da trama.
Ao passo em que investigamos estes três elementos centrais do drama ao longo da história, refletiremos também sobre como estes mesmos elementos sofreram suas graves transformações no decorrer dos tempos, comparando esses materiais com as narrativas cinematográficas dos séculos XX-XXI. Observando os valores de cada época, lançaremos luz sobre as motivações e possibilidades dessas vicissitudes, dando novas perspectivas ao passado e ao futuro das nossas narrativas, tecendo um olhar crítico sobre a teoria aristotélica do drama, sua atualidade e suas limitações.
OBJETIVOS
Conhecer e aplicar ferramentas e conceitos da dramaturgia tanto na apreciação desta, quanto em sua criação, exercitando o olhar crítico desde o consumo até a produção da obra dramática.
Desvendar, refletir, questionar acerca dos paradigmas narrativos de todas as épocas, sobretudo, no que diz respeito às diferentes abordagens dos diversos tipos de heróis em suas mais variadas jornadas, reconhecendo as múltiplas metodologias e entendimentos sobre a elaboração do drama, com inclusão ou não de outros registros narrativos (como os registros épico e lírico).
Propor ferramentas e práticas que possam auxiliar os estudantes a eleger critérios de determinação do mito e das personagens de suas obras, a fim de, com isto, poderem fazer as melhores escolhas para sua criação.
Aprimorar a capacidade discursiva dos estudantes em suas criações dramáticas, através do estudo do “pensamento” (diánoia) como um dos elementos centrais da dramaturgia, em seu entrelaçamento indissociável com o “mito” (enquanto cadeia discursiva dos acontecimentos) e com a “personagem” (não só em suas interações dialógicas, como também na cadeia de reconhecimentos e na consequencialidade de suas ações).
Professores
Ementa
MÉTODO
Aulas online semanais, sendo cada uma delas dividida em três partes, não necessariamente isocrônicas.
A primeira parte da aula é destinada à exposição teórica, em que investigaremos as teorias do drama de cada época, reconhecendo seus fundamentos teóricos aplicados nas obras daquele tempo.
A segunda parte da aula será sempre dedicada à análise crítica de obras, com espaço para debate entre os/as estudantes, a fim de reconhecer nas obras a aplicação dos conceitos estudados na aula, e identificar o mito, o caráter e os pensamentos contidos nas obras.
A terceira parte da aula será sempre dedicada a práticas de criação ou cocriação narrativa, através de interações, desafios e exercícios de imaginação, onde os estudantes terão a chance de aplicar os conceitos estudados na aula, criando premissas, personagens, arcos narrativos etc., para suas próprias produções dramáticas/audiovisuais.
A primeira edição deste curso terá como enfoque o tema da “escolha” e da “liberdade da vontade” nas obras estudadas.
CONTEÚDO
Aula 1
A Estrutura das Tragédias
Teoria
- a leitura aristotélica das tragédias gregas;
- o teatro representativo na era clássica;
- os seis elementos da tragédia, segundo Aristóteles (a trama, a personagem, o pensamento, a elocução, a melopeia e o espetáculo);
- a arte retórica, as figuras de linguagem e a dramaturgia;
- como a dialética e a retórica podem auxiliar no entendimento e na elaboração do discurso dramático;
- o erro trágico (hamartía), a desmedida (hýbris), a catástrofe (katastropheé) e a catarse (kátharsis);
- a teleologia na filosofia aristotélica e sua aplicação na tragédia grega;
- os tipos de reconhecimento (anagnoórisis) na peça dramática;
- os tipos de tragédia;
- o protagonismo, o antagonismo e a estrutura dos 3 atos.
Análise de obra: “Édipo Rei” (Sófocles) / “Antígona” (Sófocles)
Prática
- construção de um mito em 3 atos;
- identificação dos elementos (mito, caráter e pensamento) e suas funções dramáticas e discursivas;
- catástrofe, catarse e o aprendizado moral da obra.
Aula 2
A Estrutura das Comédias
Teoria
- o contexto sócio-político e cultural das comédias gregas e da Nova Comédia Ática;
- o espaço público e o “pensamento ético-político” na comédia satírica vs o espaço privado e o “pensamento moral” na nova comédia;
- aplicação dos conceitos aristotélicos da tragédia à comédia;
- o projeto ético de Aristóteles continuado nas obras de Teofrasto e Menandro (nova comédia ática);
- a comédia romana de Plauto e Terêncio;
- a poética de Horácio Flaco e a consolidação da estrutura em 5 atos.
Análise de obra: “Aulularia” (Plauto) / “Lisístrata” (Aristófanes)
Prática
- falha de caráter, intriga de predestinação e curva de aprendizagem da personagem;
- construção de um enredo em 5 atos.
Aula 3
O Drama Burguês na Era Moderna
Teoria
- contexto histórico da transição da era clássica para a era moderna (surgimento da burguesia, a reforma protestante, a filosofia medieval e a herança aristotélica);
- o indivíduo, o urbano, o peregrino, o burguês: o nascimento do “sujeito moderno” como novo protagonista;
- o pensamento (diánoia) na discursividade poética de William Shakespeare;
- complexificação da estrutura dos 5 atos, em Shakespeare;
- o drama sério burguês e sua relação com a filosofia iluminista.
Análise de obra: “Hamlet” (William Shakespeare) / “Júlio César” (William Shakespeare)
Prática
- elaboração do caráter em múltiplas camadas;
- elaboração do pensamento/discurso pelas subtramas;
- complexificação da estrutura em 5 atos.
Aula 4
O Drama Moderno da Era Contemporânea
Teoria
- as revoluções burguesas, o Estado burguês e o drama moderno;
- o teatro interpretativo;
- a crítica ao discurso (conteúdo) e à estrutura (forma) do drama tradicional pelo novo drama moderno;
- a atualização dos hibridismos, como a epicização e a liricização, na peça dramática;
- o pensamento (diánoia) na discursividade poética trazido pelo contexto e pelo subtexto;
- a criação de vozes dissonantes para a elaboração de uma crítica;
- a discursividade crítica de Ibsen;
- a estrutura de 4 atos de Anton Tchekhov;
- a estrutura em “partes”, ao invés de “atos”, no cinema moderno.
Análise de obra: “Casa de Bonecas” (Henrik Ibsen) / “O Inimigo do Povo” (Henrik Ibsen)
Prática
- a jornada mítica interrompida, inconclusa ou fracassada;
- o discurso inovador pela forma e/ou pelo conteúdo;
- chaves para elaboração de críticas temáticas.
Aula 5
O Pós-Estruturalismo e as Narrativas Pós-Dramáticas
Teoria
- nem o teatro representativo tradicional, nem o teatro interpretativo moderno: nasce a narrativa apresentativa pós-dramática;
- a crítica radical da estrutura em suas diversas formas, e seu fundamento teórico nas filosofias pós-estruturalistas;
- a superação do mito, e a ausência ou indeterminação do conflito;
- problematização e impossibilidade do discurso (lógos);
- a metáfora cede à metonímia, e a interpretação dá lugar à fruição e experimentação;
- personagens errantes e aventura nomádica;
- o ser humano contra o nonsense, contra o absurdo ou contra o vazio.
Análise de obra: “Woyzeck” (Georg Büchner) / “Ubu Rei” (Alfred Jarry)
Prática
- mitos sem caráter, formados pela efusão de figuras de linguagem;
- personagens sem trajetória mítica reconhecível ou plenamente interpretável;
- pensamentos sem mito ou caráter definíveis.
*A realização do curso está sujeita a quórum.
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